Quarta, 09 de junho, 2010
Marcos Monteiro, 34 anos, é guarda vidas em Saquarema e surfa há mais de 22 anos. Marquinho, como é conhecido pela galera local, foi criado nas ondas de Itaúna e ama surfar ondas grandes. Recém chegado do campeonato de ondas grandes no Chile, o Quiksilver Ceremonial em Pichilemu, Marcos Monteiro nos concedeu essa entrevista exclusiva.
Quando começou a fissura pelo surf de ondas grandes?
No começo tudo é brincadeira, e como há 20 anos atrás, surfista “bom” era aquele que surfasse as maiores ondas, acabei por pegar esse gostinho pelas grandes também, e com o passar do tempo a coisa foi ficando mais séria e profissional, sei que ainda tenho muito que aprender com o surf de ondas grandes, mas to trabalhando pra cada vez melhorar mais.
Saquarema é famosa por suas ondas pesadas. Recentemente foi revelada pela mídia especializada a laje de Jaconé, mostrando que o melhor caminho para surfar em condições extremas é o tow-in. Comente sobre as ondas grandes da região.
Posso dizer que Saquarema tem algumas boas opções de ondas grandes, entre elas a rainha de todas que é Itaúna, além do Back Door que chega a suportar grandes swells quando a ondulação é de sul ou sudoeste e nenhum outro pico está funcionando, e se o vento sudoeste tiver muito forte, temos a opção do canto de Jaconé, que segura qualquer tamanho de swell, além da laje de Jaconé que é ideal pra prática do tow-in que depende muito das condições do vento, mas quando tudo se encaixa é uma onda muito perfeita.
Vc acaba de voltar do Chile, onde participou da primeira etapa do circuito de ondas grandes o Quiksilver Ceremonial e foi o melhor brasileiro no evento. Comente essa experiencia de participar com os principais nomes do big surf mundial.
Essa é a segunda vez que eu participo dessa competição e por detalhes não cheguei mais uma vez até a final, fiquei em 4º onde avançavam três, mas posso dizer que tem sido um grande aprendizado pra mim. Conheci grandes nomes do esporte e procuro sempre colher informações principalmente sobre equipamento, pra que eu possa “lutar” em igualdade com meus adversários.
Quem mais te impressionou pela performance no campeonato entre brasileiros e gringos?
Alguns competidores se destacaram mais durante todo o evento, eu poderia citar 2 nomes que foram além dos demais. Primeiro o mais constante foi o peruano Gabriel Villaran que surfava as maiores com facilidade em sua 10 pés 4 quilhas e o Chileno Christian Merello que foi crescendo na competição e foi o melhor na escolha das ondas na final, ele realmente tava pegando umas bombas muito de trás do pico, mais que todos.
Como estava o tamanho das ondas no dia de competição?
O mar começou aquém do esperado, porém no decorrer do dia as ondas ganharam muito tamanho e nas baterias finais vi ondas que fácil chegavam aos 20 pés.
Tomou algum caldo sinistro na bateria ou em freesurf no Chile?
As ondas em Punta de Lobos nos maiores dias quebram muito atrás das pedras e teve uma onda que eu surfei na semi final que fechou na minha frente com uns 15 ou 18 pés, quando eu olhei estava muito perto das pedras e por pouco não fui arrastado pra cima delas. Foi um caldo que parecia não ter fim, mas quando a gente ta bem preparado as coisas geralmente dão certo.
Qual tamanho de prancha vc usou? E o quiver que vc levou pra viagem?
Minhas pranchas são shapeadas pelo Shaper Leandro Santos e dessa vez minha "arma" era uma 9 pés que funcionou incrivelmente bem, além dela eu tava com uma 7.3 pros dias seguintes e mais uma 6.3 caso o mar ficasse menor, porém sequer a usei em Punta de Lobos, o mar não ficou menor que 8 pés em uma semana.
Qual dica vc daria para surfar na região de Pichilemu e Punta Lobos no sul do Chile?
Desde 2003 surfando em Punta de Lobos todos os anos percebi que a época certa pode fazer a diferença entre uma boa trip e uma furada. Se vc não quer morrer de frio nunca vá pra lá depois de abril e antes de dezembro, e mesmo assim deve-se levar uma boa roupa de borracha, no mais a onda é perfeita e quebra de 1 a 20 pés, ou seja pra todos os gostos.
Vc tem ideia de correr as outras etapas como Peru, México ou California?
Hoje em dia existe o circuito mundial de ondas grandes, o BWWT, que se encontra em fase de acertos, então a participação de cada evento depende de resultados em competições anteriores, até que se forme um ranking. Por se tratar de América do Sul é muito provável que eu participe da prova em Pico Alto no Peru por ter sido o melhor brasileiro no Chile, já as demais vão depender de meus resultados.
Carlos Burle conquistou o título mundial no ranking de ondas grandes, o BWWT ( Big Waves World Tour ) recentemente criado. Vc foi o segundo melhor brasileiro no ranking ficando na 14ª posição mesmo correndo só uma etapa. É possível correr o circuito de ondas grandes tendo tantas despesas como viagens, logística e equipamento sem um patrocínio?
O Carlos Burle é o brasileiro surfista de ondas grandes mais experiente e inteligente. É surpreendente a constância dele, no ano passado foi o único finalista de todas as etapas do circuito, muito merecido o título conquistado, e tudo isso foi feito com muito investimento. Eu ainda estou no começo de carreira e até o momento tenho que pagar todas as minhas despesas, exceto minhas pranchas que são feitas pelo shaper local de Saquerema Leandro Santos, e pra ganhar experiência é necessário viajar muito atrás das ondas grandes, e isso custa muito caro, porém tenho buscado apoio e sei que logo algo de muito bom vai acontecer pra que eu possa representar o Brasil mundo a fora e conquistar meu principal objetivo que é ser o segundo brasileiro a ser campeão mundial de ondas grandes.
Quais ondas vc tem vontade de surfar no Brasil que ainda nao surfou?
O litoral esta recheado de boas ondas e algumas estão em meus planos, no ano passado participando do programa Nas Ondas de Noronha tive a oportunidade de surfar na cacimba do padre, que sempre foi um sonho. Gostaria também de conhecer Maresias grande, vi boas fotos da laje do Patieiro em Ubatuba e gostei muito também. Ilha dos Lobos é um grande sonho, porém a onda se encontra fechada pra prática do esporte por questões ambientais.
E no exterior?
Vou citar na sequência quais são meus picos de sonho. Teahupoo no Tahiti, Mavericks, Todos Santos, G-Land, Pico Alto.
Tem vontade de investir tambem no tow-in? Ja tem uma dupla?
Na verdade existem ondas que é praticamente impossível o surf na remada, com isso tenho também em meus planos adquirir um jet pra poder treinar e surfar algumas dessas ondas, aqui mesmo no Brasil temos algumas lajes ideais pra prática do tow-in. Já participei de algumas sessões de tow-in e foi muito interessante, porém meu foco principal é o surf na remada.
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